As tragédias vem rápido chegam e se instalam vão embora deixando sua mancha pelo chão, nas paredes.
Como o dia que está claro e escurece, se apaga e chora em chuva cresce em tempestade, ventania e frio ela chega depressa. Como uma ligação no meio da noite, um grito na vizinhança...
O dia não leva um dia inteiro para terminar, escurecer... Isso acontece em instantes, por volta das seis e dez seis e quinze e a luz artificial ocupa o lugar da natural mas não com o mesmo poder.
Quem criou a regra do jogo? quem perde, quem ganha... Qual dor é maior? a perda de um gato, de um irmão o pai que enterra o filho o filho que enterra o pai.
A felicidade existe, já foi vista e não é um mito. Mas é difícil e distante de se alcançar. Talvez se leve duas, dez, cem vidas até se conquistá-la.
E nessa busca, convive-se com a tristeza se aprende e se lída com ela obrigados a ingerí-la, mastiga-la, degustá-la sem direito a vomitá-la, dispensá-la pelo esgoto.
Os dedos foram estalados, o olho se fechou o cadeado trancou-se e o silêncio se fez sem perguntas, sem respostas, apenas aceita-se e a sente. A tristeza, a escuridão, o frio.
Cem vidas, sem vida... Cavalgando atravéz do tempo, sem refresco do vento no rosto sem conquista de novas terras, lugares, espaços.
Até onde o cavalo aguentará nos carregar? A partir de quando teremos que caminhar com nossas próprias pernas? Com o olhar no orizonte inalcanssável.
E a felicidade está lá no horizonte distante ao mesmo tempo estático, e fugindo de nós... mas, se foge, movesse de um ponto a outro mais distante talvez encontre outros alguéns que também aguardam, que também buscam... e também trazem na lingua o mesmo gosto da escura, fria e amarga tristeza que chega rápido num estalar de dedos ao fechar dos olhos nos instantes que separam o dia e a noite.
Amanheceu e eu saí pra ouvir melhor os pássaros só queria ouví-los melhor do que de dentro do banheiro. Mas a medida que meus ouvido foram se abrindo e se abituando, comecei a ouvir também os carros na avenida, as pessoas passano na rua.
É uma droga mesmo, não se pode estar sozinho mais e ouvir apenas a brasa queimando o fumo na ponta do cigarro a respiração se misturaando a brisa fria dessa manhã fria meus pensamentos tão pesados... não se pode mais estar só por um momento em lugar algum.
E ouvi os passos por saltos de mulher se aproximando apressados e crescentes. Pra onde ela vai arrumada asim a essa hora? Hoje é sábado! por que não esá envolta nos lençóis dormindo? Até o "grande arquiteto" dessa merda toda descansou no sá bado não foi? Ah não...o descanso foi num domingo... Sábado ele se arrumou também, e foi beber com os anjos...
Um cachorro também passou pela rua me olhou, me encarou tenho certeza que me cumprimentou. E eu não soube o que fazer, aquela sensação de conhecer alguém novo e não saber como se portar... Ele me cumprimentou com seu olhar...
Eles veem me cumprimentando ha tempos! Os cães, os gatos, os pássaros... e nós não cumprimentamos devolta. Preferimos apertar mãos fracas, beijar faces frias... Porquê? são iguais a nós? Nunca mais ignorarei o olhar de um cão...
Hoje quero sair pra beber com os anjos e descançar amahã, acordar envolto em lençóis e continuar alí. No silêncio entre meu ouvido e o travesseiro...
Acordamos, fumamos, caminha mos pela rua, padaria, um café, um pão na chapa, a lotação... O trem, a música,a rua novamente, o prédio, o elevador, a cadeira, a mesa... O intervalo, o lanche, a conversa desinteressante. O por do sol, a chuva, a volta, o cochilo, a cabeça na janela. A ladeira, o portão, o banheiro. O telefone, a espera, o atraso, o beijo, a transa... A cerveja, a despedida, os pensamentos, o fracasso. O livro, a privada,a água, a tosse, a tv, a cama.
Acordamos, fumamos, caminha mos pela rua, padaria, um café... ...quando isso terá um fim?
Meu cinzeiro transborda o resto de café secou no fundo da xícara o resto de licor secou no fundo do copo eu não sei que horas são.
O quarto e a janela estão fechados a procrastinação prevalece novamente junto ao silêncio, ela sempre vence...
Quantas vezese eu peguei o telefone mas desisti de ligar? amarrei os tênis e continuei sentado. a rua é tão silenciosa de madrugada e isso é tão confortável. Dá preguiça de acabar com a própria vida quando se tem tantos livros embalados me esperando para lêlos...
Encontrar os amigos mais tarde rir das mesmas coisas lembrar de épocas boas que fazem parte de uma coleção...
Existe alguém igual a mim por aí? Todos nós somos cópias uns dos outros. POrque um orgasmo dura dez segundos e uma dor de dente uns dois dias?
Não esperem nada de mim vou ascender outro cigarro encher outro copo tentar dormir um pouco mais e tanto faz o mundo lá fora... ele não me pertence mais nem nunca pertenceu... eu só me enganei todo esse tempo e isso cansa, pesa, perde a graça...